Texto de abertura das Jornadas 2019 – 35 anos

Nossas Jornadas desse ano celebraram os 35 anos da Maiêutica Florianópolis.

Compartilhamos algumas das palavras da atual Presidente, Jeanine Alexandre Fialho, na abertura desse evento.

“Este ano, nosso tema ‘Instituições, Transferência e Ética’, revela muitas inquietações, trabalho e abertura de novas possibilidades na Maiêutica.

A história de uma instituição que completa 35 anos já é longa. Nesse percurso tivemos êxitos – foram muitos. Mas também, por vezes, momentos de irrupção de pontas do Real nos colocaram frente a frente com esses temas: a transferência e a ética, na nossa instituição.

Se nela, nos ocupamos com a formação do analista e com o avanço da Psicanálise, devemos sustentar nossa ética e transferência de trabalho. Sim, só dessa maneira poderemos seguir. No entanto, e por isso mesmo, é necessário que nos transformemos, sem perder o nosso rigor. Abertura e diálogo sustentando o que nos é próprio e que foi conquistado e construído desde Freud: a práxis do analista. Se os psicanalistas devem estar advertidos de que a clínica nos dias de hoje nos impõe novas exigências e lugares, será sempre a teoria psicanalítica de Freud e Lacan, e daqueles que deles se servem, que nos apontarão o caminho. Os desafios da Psicanálise diante da mutação cultural leva-nos a dialogar com outras formas possíveis em que a nossa experiência possa se confrontar com outros, ainda que dentro da realidade que nos interessa, a do psiquismo.

Sustentar o rigor da Psicanálise, procurando deixar à margem a rigidez das escutas. Caminho tortuoso, inquietante, passível de críticas, aproximações e rejeições. O que dará suporte a isso: transferência de trabalho. Mais uma razão para discutirmos esse tema: precisamos falar disso que perpassa a vida Institucional.

Retomo um recorte da convocatória das nossas Jornadas, coordenadas este ano pela colega Djulia Justen: ‘Construímos a muitas mãos diálogos possíveis e impossíveis para repensar a prática psicanalítica nas Instituições e na nossa. Construímos para deixar cair, deixamos cair para fazer novos percursos. Surgem monumentos, desmoronam-se castelos, circulam significantes que dão início a reconstruções inacabadas e coletivas.’

Pois bem, sabemos que dessa construção, das reconstruções, a partir desse barulho interno, podemos nos movimentar e criar.

Nos escritos que hoje e amanhã apresentaremos, efeitos do desejo que temos de seguir falando e fazendo psicanálise. Isso decorre do princípio próprio que domina uma análise: ‘fazer dizer, fazer o outro dizer, e abrir inevitavelmente o inconsciente por vir.’

Espero que possamos conversar, questionar, criar laços de trabalho – que nunca são sem afeto, festejar, mas principalmente seguir. Esse é o nosso desejo ao comemorarmos nossos 35 anos”.